ESCRITOS DE JOAQUIM SÍLVIO CALDAS

Escritor, cronista e apaixonado por Natal
RN

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quarta-feira, 12 de junho de 2013

O bijo


Era um 12 de junho. Empolgado e apaixonado por Rosinha, no alto da minha sabedoria de 15 primaveras, cometi-lhe um soneto – que era a poesia da moda.

Datilografei-o furtivamente numa máquina de datilografia que havia na sala dos professores, durante o recreio das 10 horas. Na pressa, cometi um erro datilográfico. Rimando com a palavra desejo escrevi a palavra bijo, em vez de beijo.

Passou-me o erro despercebido. Orgulhoso, fiz-lhe entrega do inditoso poema. No dia seguinte (13, ia do azar) fui chamado às pressas para ser interrogado na secretaria do colégio pelo temido padre Cassiano.

Suei a camisa, pois a todo o custo meu inquisidor desejava saber o que significava a palavra bijo.

- Bijo? – e eu sei lá, “seu” padre!

- Sabe sim, pois se você mesmo foi quem escreveu’ Aqui está sua assinatura.

Meu inocente poema tinha caído nas mãos da madre superiora do colégio Nossa Senhora do Carmo.

Cada vez mais irritado o padre Cassiano sentenciou: ou você me diz o significado da palavra bijo ou vai ficar de castigo até as 14 horas.

Desesperado, e já antevendo a bronca que receberia ao chegar tarde em casa, confesso que choraminguei. O padre, afinal, era realmente malvado. Aliás, o que tinha de baixinho tinha de brabo.

Contudo, Santo Antônio foi bom comigo. Na hora foi passando meu professor de Português, o saudoso Olegário que, percebendo o pesado interrogatório que eu estava sendo submetido interessou-se pela conversa, pedindo ao padre para dar uma olhada na peça acusatória.

- Ora, padre Cassiano! Vê-se logo que foi um simles erro de datilografia. A palavra que Sílvio pretendia datilografia era beijo, para que simasse com desejo. E não bijo, que não tem significado na ossa língua. Aliás – arrematou – o soneto até que não está mal.

Ainda cheguei em tempo de alcarnçar a gororoba da mamãe.



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