ESCRITOS DE JOAQUIM SÍLVIO CALDAS

Escritor, cronista e apaixonado por Natal
RN

jsc-2@uol.com.br


terça-feira, 12 de março de 2013

Férias inesquecíveis

Férias inesquecíveis




Por Sílvio Caldas (jsc-2@uol.com.br)



Existe férias e férias. As últimas, são as que chamamos de inesquecíveis.

A década era a de 50. Minha tia Janete fora transferida do seu emprego nos Correios e Telégrafos do Recife para o antigo distrito de Serrinha, até pouco tempo pertencente ao município de Garanhuns e recém batizado de Paranatama, município autônomo.

Meu primo Jair e eu fomos levados pela minha avó Silvana para ali passarmos nossas férias escolares. Tínhamos de 6 para 7 anos de idade.

Nossa primeira aventura foi quando o caminhão que nos transportava de Garanhuns para Serrinha/Paranatama quase se atolava no pequeno riacho que atravessava a então estrada carroçável.

Por fim, lá chagamos por volta das 16 horas. Tia Janete, que sempre fora festeira, como nunca, era uma festa só.

Por volta das 17 horas, o tradicional café com biscoito da terra. A casa cheia de vizinhos que vieram conhecer minha avó e os netos.

Cansados da viagem, fomos dormir cedo, envolto em grossas cobertas e lã, pois o frio era de junho.

Pela manhã, após o café que mais parecia um almoço fomos brincar num cafezal que distava poucos metros do quintal da casa e ali ficamos deslumbrados com as novidades das paisagens que se abria para nós pela primeira vez.

À noitinha os vizinhos se reuniam na calçada da casa de tia Janete para colocar as conversas em dia, ao passo que nós nos juntávamos com as crianças em torno de uma pequena fogueira que servia para espantar o frio.

Porém fogueira bonita mesmo foi a que se ergueu no meio da rua na véspera de São João. Naquela noite fomos dormir bem mais tarde. Tapioca, canjica, pé-de-moleque, pamonha. Isso sem falar no gostoso café moído na hora e no chocolate quente.

Dois dias após passei a entender o significado do antigo ditado: o que é bom, dura pouco. As férias findaram, Tínhamos que retornar para o Recife. Recomeço das aulas. Minha tia ficou chorosa, mas assim mesmo ainda nos acompanhou até Garanhuns, onde apanhamos a chamada “marinete” ou “sopa” que nos trouxe de volta à realidade da vida.





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